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domingo, 4 de julho de 2010

Sonhando...

Eu tenho esse sonho há anos, mas fazia um tempo que ele não vinha me perturbar. A primeira vez foi na noite de 18/Jun/2006... A noite que Sérgio fora embora pra Alemanha, a noite que ele me dizia Adeus definitivamente.


Bom... Vamos ao sonho.



Em meu sonho somos vizinhos e ele mora em uma casa grande, toda branca e não há muitas paredes, mas sim, muitos vidros. Apesar de vizinhos, não nos falamos com muita freqüência, na verdade, nem nos falamos... Eu não sei o porquê, mas parece que há algo pendente, algo que nos mantém afastados.

Toda vez eu entro na casa procurando outra pessoa que não é o Sérgio, dessa vez entrei procurando o Caio para dizê-lo que estou grávida dele [hahaha]. Eu chego à porta e mesmo a mãe dele (cabelos louros e compridos, magérrima, com uma maquiagem forte, vestida todinha de preto com um tecido que gruda no corpo e salto alto – nada a ver com a mãe de nenhum dos dois -) sabendo que eu estou do lado de fora ela não vem me atender, então eu tenho que tocar a campainha. Aí sim, ela levanta e abre a porta pra mim, como se eu fosse uma desconhecida [Não!! A Mãe dos dois me conhecem.] e me pergunta:

- Pois não?
- Eu vim falar com o caio. Ele está?
- Não, ele não está.
- Tá bom. Você pode avisá-lo que a Jéssica precisa falar com ele e que eu retorno mais tarde?
- Sim, eu aviso.

Com uma expressão de raiva no rosto ela virou as costas, até parecia que eu havia feito algo para o filho dela (Sérgio). Com dúvidas na cabeça, se o caio realmente estaria em casa e porque ela me olhava daquele jeito, eu me direcionei para a porta. Quando eu estava chegando perto da maçaneta ela me chamou:

- Espere!

No momento que ela me chamou eu pensei: “Ahh! Então ele estava em casa e a senhora não queria me deixar vê-lo!”

- Ele vai me atender?
- Não. Eu só te chamei pra você ligar para o celular dele.

Então ela me mostra a sua mão branca e delicada onde há no meio de sua palma, escrito bem clarinho e de caneta azul uns números [e por incrível que pareça é o verdadeiro celular do Caio]. Com aquela cara de “eu sei o telefone do meu namorado” eu vou embora. [nem sei por que eu pensei isso no sonho... mas..]

Eu não sei como, mas eu reapareço em frente a casa. Dessa vez está de noite e eu vou dar um passeio no esverdeado jardim. [este se parece com a parte de traz do meu antigo condomínio de prédios. Logo atrás do bloco D tem as sete caixas D’água e na frente um gramado bem verde. É este que há no sonho, mas sem as caixas D’água]. Quando eu entro no jardim me deparo com uma cena horrenda: Sérgio está lá, matando um homem e enterrando-o junto com as outras 14 vítimas.

Nesse momento a cena muda rapidamente para eu em frente a uma TV e assistindo o noticiário: “Menino de 17 anos está sendo investigado pela morte de 15 civis...”

A cena mudou de novo. É madrugada e eu estou vendo a cena como se estivesse deitada na terra, ou melhor, por baixo dela... Como se eu fosse uma das pessoas enterradas no jardim do Sérgio.

Por cima de nós foi passada uma camada de cimento, como para fazer uma rua, mas a quantidade de corpos é maior que o espaço em que ‘estamos’ distribuídos então se formou uma ‘lombadinha’, e isso chamou a atenção do policial que estava sozinho. Como se fosse possível, ele achou um cantinho (onde estava o meu rosto) no asfalto que estava mal feito e levantou-o, como quem levanta a ponta do tapete. Nesse momento surgiu um cheiro de putrefação e ele afastou-se, foi em direção a sua maleta, tirou uma ferramenta [não sei dizer qual era, mas acho que era uma picareta] e começou a quebrar o asfalto. Uma quantidade enorme de corpos foi sendo mostrados, não pareciam somente 15. E o engraçado é que esses corpos, mesmo estando roxos e duros, piscavam para o policial e respiravam com alívio de terem sido encontrados.

Mas nós podemos ver a sombra de se faz por trás dele. Lá está Sérgio com uma ferramenta [aquelas de tirar folha de jardim] e quando o policial vê em nós a sombra de alguém se movendo atrás de si, ele vira para olhar e é apunhalado na cabeça.

A cena muda novamente e eu estou com Sérgio em seu quarto. Não há muito que descrever. Nós estamos no chão, ele está encostado na cama desarrumada com um lençol cinza e preto. Ao lado desta há um criado mudo de madeira escura e em cima há um pouco de papéis desarrumados. As paredes de seu quarto têm uma cor escura, assim como o carpete do chão.

- Eu não fiz isso... Não fiz!
- Eu sei, eu acredito em você. Sei que você não seria capaz disso.

Mesmo sabendo, mesmo tendo visto o que ele havia feito eu ainda acreditava em suas palavras, acreditava que ele não era um assassino... Queria acreditar.

- Sabe, você foi minha melhor amiga na escola.
- É eu sei! Você até me disse que eu era a sua melhor amiga em Campinas e eu lhe disse que deveria ser porque você morava em Vinhedo e só conhecia uma pessoa de Campinas: Eu!
- Você era a mais bonita da nossa sala.
- Ah é! (tom de ironia)
- Eu estou falando a verdade
- Mais bonita que a Tom-Tom? Se eu fosse a mais bonita você não teria ficado com a Naira, teria ficado comigo. Se eu fosse a mais bonita você não teria dito que ficaria com a Tom-Tom, você teria ficado comigo.

[Incrível como os anos passam e ele tem o mesmo rosto. O mesmo cabelo liso, castanho escuro e comprido, a mesma franja jogada na frente do olho, o mesmo jeito de jogar o cabelo. Nem sua fisionomia mudou. Ele não mudou. Agora... Eu? Eu não conseguia saber como eu estava, mas eu sentia que eu havia mudado provavelmente eu era igual ao que sou hoje.]

- Se você não gostar, é só dizer que eu paro. – eu disse.

Fui me aproximando dele, e finalmente, depois de anos o beijei.

- E aí?
- Tem muita língua.

A cena muda.
A notícia de que Sérgio era o assassino já se espalhou: seus pais foram condenados e a casa estava a venda, junto com os dois moradores: Sérgio e seu irmão mais novo.

Há muitas pessoas querendo a posse da casa e minha mãe, como todos ali, querem entrar na famosa casa branca então eu as levo para um tour. Não sei por que, mas nós temos medo de alguém nos ver dentro da casa por isso, minha mãe sai correndo da casa quando vê os novos moradores. Eu, pelo contrário, vou ao quarto do Sérgio pegar suas coisas [não sei por que, afinal, ele vai continuar morando ali.]

Já dentro de seu quarto eu abro o seu criado mudo e tiro de dentro algumas roupas, fotos e fico extasiada quando olho em cima do criado mudo aqueles perfumes fortes e marcantes que só ele usava. Abro um por um, espirro no meu pulso, mão, braço e vou sentindo o cheiro: estou à procura de um especial, Aiman! [Acho que é assim que se escreve] Não acho o que estou procurando então pego um vidro qualquer, um de cor azul escura, coloco dentro da bolsa e levanto-me para ir embora. Mas nesse momento chegam á porta os filhos do novo morador, são dois meninos.

- O que você tá fazendo aqui?
- Pegando umas coisas do Sérgio. Querem ver?

E eu começo a mostrar uns livros, gibis e suas fotos. Enquanto eu mostro ouço a voz de seu irmão gritando meu nome, mas não respondo. Quando eu finalmente levanto-me para ir embora resolvo dar uma última olhada pela janela do quarto. Lá no jardim o novo morador está dentro do buraco no jardim onde um dia houve os corpos mortos.

Entrei em pânico ao ver aquela cena. No mesmo instante me veio na cabeça seu irmão gritando meu nome e eu liguei as idéias: Sérgio havia sido morto e estava sendo enterrado. Mas nesse momento o novo morador levanta com uma chave de fenda na mão e procura do lado de fora do jardim um cano. Ele estava apenas refazendo o encanamento da casa.

Desço as escadas, saio pela porta da frente e vou me despedir pela última vez de Sérgio. Ele está no jardim jogando bola com seu irmão. De longe eu grito:

- Sérgio!

Ele levanta a cabeça e olha. Eu mando um beijo, ele manda vários beijos e eu me viro pra ir embora. Ele me chama, mas eu não atendo. Ele me chama de novo eu acho que é minha mãe me chamando pra acordar e eu abro os olhos, mas não há ninguém no meu quarto, nem na minha casa.





Sonho ou Pesadelo?
Eu não sei responder. Acho que é um misto de sonho e pesadelo. Há momentos que é apenas um sonho: uma amiga matando saudades de seu amigo e há outros que é um pesadelo: Sérgio... Assassino?
Eu realmente gostaria de falar mais com ele. Ele estar na Alemanha nunca nos impediu de conversar. No começo nós nos falávamos bastante, todo dia. O problema é a namorada dele que não nos deixa conversar. :S

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