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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Só de pensar em voltar já me dá palpitações. Começo a suar frio, me dá desespero, me sinto ansiosa. Já imagino as caras feias e os olhares de reprovação.
Me pego projetando todas as possibilidades: "hoje elas podem estar felizes", "hoje pode ter acontecido alguma coisa e elas estão putas", "elas poderiam estar dormindo. Seria um alívio se estivessem dormindo".
Enrolo o máximo possível onde eu estiver na tentativa de postergar o nosso encontro. Fico sozinha, janto sozinha, me isolo dentro do laboratório até não aguentar mais. Preciso de um banho, preciso da minha cama, preciso descansar, preciso dormir.
Chego em casa e me deparo com o carro na garagem: elas estão em casa. Se é de madrugada, entro pé ante pé, tomando o cuidado para não fazer barulho e aliviada sabendo que estarão dormindo: hoje não preciso falar com elas. Se é em um horário que as luzes estão acesas, torço para elas estarem ocupadas e não perceberem que eu cheguei. Corro tomar um banho e me isolar, novamente, em meu quarto. Fico torcendo para não virem falar comigo. Não irei dar satisfações, não quero discussão, só quero paz e sossego.

Não consigo mais admirar essas mulheres.
Não consigo mais conviver com essas mulheres.
Não me sinto em casa, na minha própria casa.
Não consigo nomear como "casa" um lugar para o qual eu tenho medo de voltar
Não me sinto bem. Não me sinto confortável. Não me sinto em casa.
Mas, infelizmente, não tenho para onde ir.

O que me resta é fechar os olhos e torcer para a próxima manhã chegar e nós não nos encontrarmos na saída ou chegada em casa. Tiver para eu conseguir prorrogar o máximo possível nosso próximo encontro.
Até quando eu suportar...

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