Todos temos problemas com nossos familiares. Aquela coisa de "familia perfeita" não existe mais e eu tenho as minhas dúvidas de que realmente tenha havido algum dia.
Quando você, que está de fora das confusões, olha a família de seu amigo/a pensa que ali há uma família que parece feliz e unida, não deixe-se enganar pelas aparências. No momento em que você vai embora as confusões começam: O pai briga com a mãe, a mãe briga com a empregada e desconta no filho mais velho que é adolescente e fica no computador o dia inteiro. Esse por sua vez desconta toda a raiva, a frustração e os problemas do vestibular no irmão mais novo que acaba reclamando para a mãe ou revidando, e a mãe vai tirar satisfações com o filho mais velho que ameaça ir embora de casa.... e por aí vai.
Eu sou um típico exemplo de filha adolescente[com 20 anos] com problemas de todos os tipos que na esfera "mundial" são mínimos, mas hoje não estou aqui para falar de mim, estou aqui para falar de meu sobrinho.
Fim de semana passado ele resolveu vir estudar comigo pois tinha prova no domingo do Cotuca. Estudei matemática até a meia-noite com ele e fomos dormir. Quando foi 4 horas da manhã acordei com uma falação em meu quarto: minha mãe e meu sobrinho conversando.
Nessa hora ele desabafou dois anos de sofrimento para nós. Tudo o que ele pensou e pensa desde o momento em que saiu de nossa casa e foi morar com seu pai. Contou-nos que seu pai não gosta dele, que seu pai parece ter ódio dele e que para as outras duas filhas [que nem filhas são, mas...] ele faz de tudo: Leva e busca, compra roupas, compra isso, aquilo.... e para ele é um simples: "Se vira", "Vai de ônibus", "Vai à pé", "Na próxima compra..."
Eu tenho dó dele. Posso dizer com alegria que mesmo não fazendo parte da familia [por parte sanguinea] minha mãe nunca fez isso comigo. Sempre me deu de tudo, sempre me levou para tudo quando é lugar, nunca me deixou andar de ônibus [deixa ela saber que faço isso escondida...]...
E não era só a mim que ela tratou assim.
Kauan sempre morou conosco desde seus 4 anos. Desde então minha mãe sempre deu-lhe boas roupas, boa comida, todos os doces e sorvetes que pedia, todos os brinquedos que via pela frente, boa escola, além de muito carinho. Ela sempre dizia que ele e o Yuan eram os filhos que ela havia perdido no passado e ela os tratava como se fosse seus filhos.
Eu e ele éramos como irmãos.
Desde fim de semana passado uma ansiedade cresce dentro de mim: A vontade que o Kauan resolva largar de vez a 'moradia' de seu pai e retorne pra casa.
Eu sinto falta dele, da companhia dele, das piadas idiotas dele, das brigas de vez em quando mas tenho dó dele que sempre se sentiu 'largado' pelo pai pela falta de sua presença e o pior é que ele SABE e CONHECE o pai, então me pergunto: Será que se eu conhecesse e soubesse quem é meu pai eu também me sentiria abandonada?
Nenhum comentário:
Postar um comentário