Eu sempre gostei de escrever. Em 2005 e 2006 duas poesias minhas entraram pro livro de poesias do Integral. Eu costumava dizer que no futuro eu seria escritora e que venderia muitos livros, mas desisti da idéia. Eu sempre quiz escrever um livro de terror. Já comecei vários deles mas nunca passei do primeiro capítulo, acho que não tenho imaginação pra tanto, afinal, eu nunca gostei da morte.
É, eu tenho medo da morte, portanto gostaria de ter uma morte suave, sem dor e o mais rápido possível. Nada de decaptação (seu cérebro continua funcionando até voce morrer por hemorragia/falta de O2/falta de energia...o que vier primeiro), nada de afogamento, nada de morrer queimado, atropelado... nada disso.
Minha avó morreu dormindo. Insuficiência respiratória por causa da pneumonia. Olha só o que um grão de arroz no lugar errado pode fazer. Nós sempre tivemos cuidados com ela. Dávamos banho nela sentada, ajudavamos a andar pela casa, compramos uma cadeira especialmente pra ela, super confortável. Ela usava macacão que fechava nas costas... Ela sempre disse que morreria em fevereiro. Naquele ano nós demos uma festa pra comemorar seus 88 anos. Compramos salgadinhos, doces, bolo e cantamos parabéns. 1 mês e 1 dia depois ela morreu, assim como sempre disse: em Fevereiro.
Ela foi levada para o hospital na sexta feira.
Era 10 horas da manhã de terça quando minha mãe ligou em casa e disse: "Acorda o Kauan, o Yuan, se aprontem que estamos indo pro hospital. A vó está morrendo"
Eu fiquei chocada, em transe. Quando eu disse o porque de nos aprontarmos rápido o Yuan começou a chorar, o Kauan ficou em choque, assim como eu.
Quando chegamos no hospital era tarde demais. Minha empregada estava chorando na porta do quarto (desde que minha avó havia sido internada ela dormia no hospital com ela). Minha irmã foi de encontro com ela, chorando também.
- Cadê a vó?
Quando eu entrei no quarto, lá estava ela. Murcha, branca, vazia e com a boca aberta. Morrera dormindo.
Eu nunca havia ido em um enterro. Eu costumava ver as pessoas vivas, respirando e se mechendo. Era estranho estar ali olhando para o caixão onde minha avó estava completamente paralisada. Eu tinha a impressão de que a qualquer momento ela levantaria e diria: "HÁ! Pegadinha do malando!" Mas ela continuou ali, dormindo.
Naquela mesma madrugada eu e meus subrinhos voltamos pra casa para dormir. Quem disse que eu consegui? Ela vivia me dizendo que iria puxar meu pé quando ela morresse. Naquela noite eu tive pesadelos; por mais que eu encolhesse os meus pés eu ainda achava que ela iria me puxar, além, de ficar vendo-a se mover no corredor... nada divertido na madrugada.
Demorei pra me recuperar da morte da minha avó mas era engraçado porque o Yuan parecia não ter sido abalado. Era esperado que uma criança de 5 anos ficasse, mas ele não.
- Yuan... A biza não vai mais acordar. Ela não vai mais brincar com você, nunca mais.
- Eu sei... Tchau biza.
Ainda bem que nos mudamos do apartamento, seria horrivel aind morar naquele lugar. Seria impossível olhar no espelho e não imaginar minha avó sentada na cadeira dela no fim do corredor, ou que ela estaria vindo por este mesmo corredor...
Nunca mais eu fui em um enterro. A dona Benedita morreu, e eu não fui no enterro. O Tio Boca morreu, e eu também não fui no enterro. Minha mãe, minhas irmãs/irmãos, meus sobrinhos e amigos irão morrer e, sinto muito, não irei no enterro de nenhum deles.
É até possível que eu não vá no meu próprio enterro!
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| Eu e Minha avó Mercedes |

ahh Jeh, eu também morro de medo da morte ><
ResponderExcluirnão de morrer em si, acho que isso pra mim não faria muita diferença.. dormindo, afogada, decapitada
mas o que me assusta é aquilo que vem depois do ato demorrer, o estar morto em si
será que realmente há algo depois da morte?
ou seria apenas a vasta escuridão do infinito?
enfim.. meu avô faleceu esse ano, dois dias depois do meu aniversário...
quando fomos no enterro, eu também simplesmente não consegui acreditar
Ver ele deitado naquele caixão, estranhamente estático e sereno...
mas, fazer o que, a morte faz parte da vida
já me conformei com ela
eu também sempre pensei em ser escritora!
Mas também desisti da idéia ><
não sei porque, mas simplesmente desisti... acho que meus pensamentos são muito confusos para serem traduzidos em palavras :S
não importa o quanto escreva ou diga, nunca sinto que foi o suficiente para expressar tudo aquilo que desejava
but.. enfim
por que nao está indo mais à aula? aconteceu algo?
ou é só preguiça mesmo?!
hahaha ;P
beeijos, gata
se cuida :*